Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Um Absurdo Sem Fim

08
Nov15

Viagem de Autocarro: Tânia

Loís Carvalho



Hey Pessoal,

     Uma das coisas que mais gosto de viver em Lisboa é o facto de em "todos os cantos" conhecer alguém novo, ter um conversa de momento e despedir-me com um "até à próxima", pois não sabes se irás, algumas vez na vida, reencontrar essa pessoa. O autocarro que apanho todas as noites após o trabalho tem-me proporcionado momentos como esse já por diversas vezes. E, como conhecer pessoas se trata de uma parte muito importante deste meu ano, decidi que começarei a descrever essas pessoas e encontros para vocês.
      Neste domingo, no meu 202 da meia noite e meia, conheci a Tânia. Uma jovem arquiteta de Coimbra, que fez o estágio do seu curso cá no mês passado e por isso decidiu vir visitar os amigos. A conversa começou pelo simples facto de ela não saber se na paragem do Largo Camões parava o 202, pois tinha queria apanhar o autocarro. Disse-lhe que sim, mas que sendo sábado para domingo à noite o autocarro podia demorar, demora sempre nestes dias. Ela explico-me que tinha tentado apanhar o metro, mas que por meros instantes, o tinha perdido. O próximo apenas passaria daí a 12 minutos e que, apesar de ter pago a viagem do metro, decidiu sair e tentar apanhar o autocarro. Tivemos uma conversa de alguns minutos sobre o autocarro, o metro, os passes. Enfim, conversas de paragem de autocarro. Era já 00:50 quando o 202 da 00:30 apareceu. Entramos os dois e toda as pessoas que já desesperavam por ele. Acabamos por nos sentar um ao lado do outro e, na curto viagem entre o Largo Camões e Campolide, descobri que afinal não éramos assim tão estranhos um do outro. Vínhamos os dois da mesma zona, eu de Arganil e ela de Coimbra. Uma coincidência da vida bastante engraçada. Contei-lhe o porque de ser tão novo e estar a trabalhar, partilhamos algumas ideias sobre o ano de pausa, o facto de em Portugal sermos quase "obrigados" a terminar o secundário e a ingressar no ensino superior logo a seguir e como é difícil as pessoas aceitarem que queres parar um ano. Nisto perguntei-lhe o que é que ela estudava, ao que obtive a resposta de que tinha acabado o curso de Arquitetura em Setembro, Curso que tirou em Coimbra, onde sempre viveu e estudou. Constatamos o facto de que se acaba os cursos muito cedo na nossa vida, e que aos 23, idade média em Portugal em que acabas o curso já com o mestrado feito, não nos vemos a fazer aquilo que estudamos para o resto da vida. Uma verdade bastante real, por isso é que não tem mal nenhum parar um ano, perceber aquilo que se quer. Acabar o curso um ano mais velho que o normal não fará qualquer diferença a nível profissional, constatou a minha companheira de viagem.
        Estávamos a chegar ao destino da Tânia, para mim ainda nem a meio do caminho íamos. Despedimos-nos, agradecendo a companhia que tínhamos feito um ao outro. Ela desejou-me boa sorte, retorqui-lhe o mesmo. Tânia despediu-se com um " Até à próxima", ao qual respondi "Até à próxima, pois nunca sabemos quando nos vamos cruzar de novo". Ela saiu e eu segui viagem no meu 202 da 00:30 em mais um regresso a casa.

(Obrigado Tânia pela companhia e espero que não te importes por contar esta história. Se alguma vez leres isto, avisa)

About me

Lòís Carvalho, 20 anos, Mundo. Existe um sem fim de sítios onde ir, pessoas por conhecer, vidas para viver, sonhos para alcançar, mundos por descobrir.

ver perfil | seguir perfil

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D